Biografia
Joaquim Falcão Marques Ferrer
Miranda do Corvo, 29 de Junho de 1914 — Lisboa, 18 de Setembro de 1994

Joaquim Falcão Marques Ferrer nasceu em Miranda do Corvo em 29 de Junho de 1914 e faleceu em Lisboa em 18 de Setembro de 1994.
Fez os primeiros estudos em Miranda do Corvo, os estudos secundários em Coimbra e Lisboa, e formou-se em Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
Ligado sempre ao movimento literário e artístico em Coimbra, Lisboa e, posteriormente, também em Paris, São Paulo e Rio de Janeiro, residiu na Suíça durante dois anos na sua juventude, e publicou em 1941 o romance Rampagodos, onde relata a infância no Portugal rural da época. O livro foi apreendido pela censura, o que muito reduziu a sua circulação. Em 1945 publicou o romance Ilha Doida, que retrata a vida num colégio interno. Em 1946 mudou-se para França, onde desempenhou funções no Consulado português em Paris até ser dispensado em 1949, por razões políticas.
Como pintor amador, apresentou a primeira exposição de arte abstracta em Portugal na galeria do Diário de Coimbra em 1950, exposição que causou escândalo na época.
Em 1951 partiu para o Brasil em digressão com o TEUC. Não tendo regressado com a Companhia, instalou-se em São Paulo como jornalista no Estado de São Paulo, e dirigiu a revista Atlante, de promoção da cultura luso-brasileira, onde defendeu a criação de uma comunidade de estados de língua portuguesa.
Continuando a escrever e a pintar, mudou-se em 1959 para o Rio de Janeiro, onde permaneceu até regressar definitivamente a Portugal após o 25 de Abril. Nesses anos publicou os livros de poesia A Morte Segundo Estácio de Saa (Rio de Janeiro), Objectos Recuperados (Lisboa) e Ornitorrincos (Lisboa). Em Lisboa, trabalhou a partir de 1976 na Secretaria de Estado da Cultura, no Gabinete de Relações Culturais Externas e no Instituto Português do Livro até 1984. Dedicou-se depois disso à escrita e faleceu aos 80 anos em 1994.
Ao longo das décadas, nunca deixou de escrever poesia e prosa, tendo deixado um vasto espólio de inéditos em diferentes estados de acabamento. O espólio agora entregue à FLUC consta principalmente de dactiloscritos inéditos: milhares de páginas de poesia, um romance, algumas centenas de contos e outras narrativas breves com tópicos da vida rural portuguesa, da vida urbana no Brasil, entre outros temas variados, pensamentos, além de cadernos manuscritos e diversos documentos biográficos do autor.