
Ilha Doida
Romance · 1945 · Coimbra
Novos Prosadores · Coimbra Editora
Retrata a vida num colégio interno.
Da crítica
(...) colecção «Novos Prosadores» nos revela um novo autor: Joaquim Ferrer, que escreveu um romance a que chamou «Ilha Doida» — e desde já uma referência à bonita capa de Palla — cheio de interêsse novelesco e escrito num estilo cáustico. Assinalemos por isso, o seu autor, como um dos futuros valores da nossa literatura de ficção, a emparceirar com alguns dos poucos novos que ultimamente se têm afirmado escritores de facto.
(...) Joaquim Ferrer tem o condão de no-la dar (a fase da vida cheia de miragens) neste seu belo livro, com o máximo de realidade. Tanto o pequeno Adrião como os seus companheiros de Colégio estão pintados com um rigor, uma exactidão tais que nos sentimos como que transportados a êsse saudoso tempo dos nossos 14 e 15 anos, vivendo nós o romance como se fôra o nosso e o da nossa época.
(...) Deste tema, difícil pelo que a puberdade tem de indeciso e invertebrado e mais difícil ainda, se atendermos a que se trata de estudantinhos, vindos na maioria da classe média endinheirada e sem problemas suscetíveis de dramatização muito profunda, fêz Joaquim Ferrer, um romance com verdadeiro interêsse. (...) «Ilha Doida» tem uma linguagem cuidada e um estilo próprio (...) uma mistura de queirozianismo e do realismo concreto, crú e chão dos nossos neo-realistas.